Masculinidade Negra

Personalidades
Negras Brasileiras.

Doze meses temáticos, um período do ano para cada subcategoria dos seis cadernos. Três anos de personalidades negras brasileiras — pessoas vivas e legados. Referências documentadas; sem invenção.

Janeiro · Brasil · Política

Benedita da Silva (1942-)

Benedita da Silva é uma das mais longevas e importantes figuras da política brasileira. Nascida em 1942 no Rio de Janeiro, foi a primeira mulher negra eleita senadora no Brasil, cargo que assumiu em 1995 após eleição em 1994 pelo PT/RJ. Antes disso, foi deputada federal por múltiplos mandatos, iniciando sua trajetória na Assembleia Constituinte de 1987-1988.

Em 2002, assumiu o governo do estado do Rio de Janeiro após a renúncia do governador Anthony Garotinho, tornando-se também a primeira mulher negra a governar um estado brasileiro, permanecendo no cargo até 2003. Retornou à Câmara dos Deputados em mandatos posteriores, mantendo atuação parlamentar contínua por décadas.

Criada na favela do Chapéu Mangueira, no Leme, Benedita construiu sua trajetória política a partir da militância comunitária, religiosa e dos movimentos sociais. É figura central na história da representação negra e feminina nas instituições brasileiras.

Foto: Wikimedia Commons (Plenário Ulysses Guimarães, 2024)
Fevereiro · Cultura · Música

Lazzo Matumbi (1952-2024)

Lazzo Matumbi foi cantor, compositor e produtor musical baiano, uma das vozes fundadoras da música afrobaiana contemporânea. Nascido em Salvador em 1952, tornou-se um dos mais importantes intérpretes do Olodum, o bloco afro baiano fundado em 1979 que combinou percussão afro-brasileira com discurso de afirmação da identidade negra.

Ao longo de quatro décadas de carreira, Lazzo gravou e se apresentou por todo o Brasil e no exterior, contribuindo para internacionalizar a axé music militante e o samba-reggae. Sua voz grave e seu estilo cênico marcaram gerações de músicos e público da Bahia. Faleceu em março de 2024, em Salvador, deixando obra gravada e influência duradoura na música popular afro-brasileira.

Foto: Wikimedia Commons
Março · Brasil · Movimentos

Marielle Franco (1979-2018)

Marielle Franco (1979–2018) foi vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, socióloga e ativista dos direitos humanos. Nascida na Maré, favela da Zona Norte do Rio, tornou-se mestre em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF) com dissertação sobre o impacto das Unidades de Polícia Pacificadora nas comunidades cariocas. Em 2016, foi eleita vereadora pelo Rio de Janeiro com mais de 46 mil votos, a quinta candidatura mais votada da cidade.

Na Câmara Municipal, presidiu a Comissão da Mulher e atuou de forma contundente na defesa dos direitos de mulheres negras, da população LGBTQIA+ e dos moradores de favelas. Sua trajetória era marcada pela experiência de vida nas periferias e pela articulação entre mandato parlamentar e ativismo de base.

Em 14 de março de 2018, Marielle foi assassinada junto com seu motorista Anderson Gomes ao sair de um evento no Centro do Rio. O crime provocou comoção nacional e internacional. Em 2026, completam-se 8 anos de seu assassinato, e seu nome permanece símbolo de resistência negra, feminista e periférica no Brasil e no mundo.

Foto: Wikimedia Commons
H
Abril · Saber · Educação

Henrique Cunha Junior (1955)

Henrique Cunha Junior é engenheiro eletricista e professor universitário, vinculado à Universidade Federal do Ceará (UFC). É considerado pioneiro do conceito de afroengenharia — perspectiva que investiga as contribuições históricas e contemporâneas de africanos e afrodescendentes para o desenvolvimento científico e tecnológico, desafiando a narrativa eurocêntrica dominante na história das ciências.

Pesquisador das relações étnico-raciais em ciência e tecnologia no Brasil, produziu trabalhos sobre a presença negra na engenharia e sobre o papel do conhecimento africano na formação da civilização. Atuou também no campo da educação antirracista, articulando saberes técnicos e reflexão sobre identidade, memória e diáspora africana.

Maio · Mundo · Diáspora

Solano Trindade (1908-1974)

Francisco Solano Trindade foi poeta, dramaturgo, ator e pintor pernambucano, uma das vozes fundadoras da poesia afro-brasileira do século XX. Nascido em 24 de julho de 1908 no Recife, trouxe para o verso a experiência do povo negro brasileiro com linguagem acessível, ritmo oral e consciência política.

Em 1936, foi um dos cofundadores da Frente Negra Pernambucana, organização que articulava reivindicações sociais e culturais da população negra no Nordeste. Mais tarde, no Rio de Janeiro, fundou o Teatro Popular Brasileiro, companhia dedicada a levar artes cênicas a plateias populares e a valorizar expressões culturais afro-brasileiras. Entre seus poemas mais conhecidos estão "Tem Gente com Fome" e "Canto dos Palmares".

Solano Trindade morreu em 19 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro. Sua obra, durante décadas marginalizada pelos cânones literários, é hoje reconhecida como parte essencial da tradição poética da diáspora africana nas Américas.

Foto: Wikimedia Commons / Arquivo Nacional (domínio público, 1950)
Junho · Cultura · Literatura

Djamila Ribeiro (1980-)

Djamila Ribeiro é filósofa e ensaísta brasileira nascida em Santos, São Paulo, em 1980. Mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), é uma das intelectuais negras mais lidas do Brasil contemporâneo.

Organizou e escreveu a coleção Feminismos Plurais (Pólen Livros), que reúne títulos acessíveis sobre raça, gênero e pensamento crítico. Entre seus livros próprios destacam-se Lugar de Fala (2017), Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (2018) e o Pequeno Manual Antirracista (2019), este último um dos livros mais vendidos no Brasil naquele ano.

Ocupou o cargo de Secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo (2017–2018). Colunista e conferencista frequente, seu trabalho editorial e intelectual contribuiu para popularizar o debate sobre racismo estrutural e feminismo negro para públicos amplos.

Foto: Wikimedia Commons / Mídia NINJA (CC BY-SA 2.0)
Julho · Esporte · Modalidades

Hebert Conceição (1998-)

Hebert Conceição é boxeador brasileiro, nascido em 1998 em Salvador, Bahia. Em agosto de 2021, nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, conquistou a medalha de ouro na categoria peso médio (até 75 kg), tornando-se o segundo brasileiro campeão olímpico no boxe masculino, após Robson Conceição, ouro em peso leve nos mesmos Jogos.

Iniciou no boxe ainda criança em projetos sociais de Salvador. Integra a seleção brasileira de boxe e tem construído carreira no boxe profissional após Tóquio. Sua conquista olímpica foi parte de uma histórica campanha do boxe brasileiro nos Jogos de 2021.

Foto: Wikimedia Commons / Tóquio 2020
B
Agosto · Economia · Trabalho

Bárbara Carine (1987)

Bárbara Carine Soares Pinheiro é química, doutora em Educação e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Fundadora da Escola Maria Felipa, em Salvador, iniciativa de educação pretagônica voltada ao fortalecimento da identidade e do protagonismo de crianças e jovens negros.

Autora de livros que articulam antirracismo e prática pedagógica, publicou entre outros Como ser um educador antirracista (Planeta do Brasil, 2022) e Pedagogia Pretagônica (2020), obras que integram o debate sobre educação antirracista no Brasil contemporâneo.

Sua trajetória une formação científica em Química com militância educacional e produção teórica, tornando-a referência no campo da educação para as relações étnico-raciais no ensino superior e na educação básica.

E
Setembro · Saber · Saúde Mental

Edna Roland (1951-)

Edna Maria Santos Roland, nascida em Codó (MA) em 1951, é psicóloga, ativista e gestora pública. Graduou-se em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em 1989, integrou a área de saúde do Geledés — Instituto da Mulher Negra, do qual é cofundadora, responsabilizando-se pela criação dos Cadernos Geledés, com ênfase em saúde da mulher negra.

Em 2001, foi a relatora-geral da III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas (Durban, África do Sul), representando o Brasil à frente da maior delegação de país participante. Atuou também como membro do Grupo de Especialistas da ONU para o programa de ação de Durban e tornou-se Perita Eminente Independente das Nações Unidas para implementação da Declaração e do Programa de Ação de Durban.

Sua obra atravessa psicologia social, racismo estrutural, saúde reprodutiva e direitos humanos, consolidando-a como uma das principais referências do feminismo negro brasileiro.

Outubro · Mundo · Internacionalismo

Glória Maria (1949-2023)

Glória Maria Matta da Silva (1949–2023) foi jornalista carioca e uma das figuras mais reconhecidas da televisão brasileira. Em 1971, tornou-se a primeira repórter negra do Jornal Nacional da Rede Globo — feito que marcou a história do jornalismo e da representação racial na TV aberta do Brasil.

Ao longo de mais de cinco décadas na Globo, apresentou programas como Globo Repórter e Fantástico, construindo uma carreira centrada no jornalismo de campo e na cobertura internacional. Reportou de dezenas de países, tornando-se referência na cobertura de temas globais para o público brasileiro — o que confere à sua trajetória dimensão explicitamente internacionalista.

Glória Maria faleceu em fevereiro de 2023, após tratamento contra um câncer. Deixou duas filhas adotivas e uma herança profissional que permanece como marco de pioneirismo negro na mídia brasileira.

Foto: Wikimedia Commons (2014)
Novembro · Esporte · Futebol

Edson Arantes do Nascimento (1940-2022)

Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, nasceu em 23 de outubro de 1940 em Três Corações, Minas Gerais, e faleceu em 29 de dezembro de 2022 em São Paulo. É amplamente considerado o maior jogador de futebol de todos os tempos. Filho de Dondinho, também futebolista, cresceu em Bauru, São Paulo, onde foi descoberto ainda adolescente.

Estreou profissionalmente no Santos Futebol Clube em 1956, com quinze anos, e permaneceu no clube até 1974. Com o Santos, conquistou dois títulos da Copa Libertadores (1962 e 1963) e dois do Campeonato Mundial Interclubes. Pela Seleção Brasileira, foi tricampeão da Copa do Mundo FIFA — em 1958 (Suécia), 1962 (Chile) e 1970 (México) —, sendo o único jogador a conquistar três títulos mundiais. Em 1958, aos 17 anos, tornou-se o jogador mais jovem a marcar gol em uma final de Copa do Mundo.

Acumulou mais de mil gols ao longo da carreira, incluindo o milésimo gol marcado em 19 de novembro de 1969, no Maracanã, pelo Santos. Após se aposentar, atuou brevemente pelo New York Cosmos (1975–1977), nos Estados Unidos. Em 1995, exerceu o cargo de Ministro Extraordinário do Esporte do Brasil. Foi declarado Atleta do Século pelo Comitê Olímpico Internacional e Jogador do Século pela FIFA, em 2000.

Foto: Wikimedia Commons (Seleção Brasileira, 1970)
Dezembro · Economia · Afrobusiness

Gilberto Gil (1942-)

Gilberto Gil é cantor, compositor e gestor cultural baiano, uma das figuras centrais da música popular brasileira do século XX. Em 1968, foi um dos fundadores do Tropicalismo, movimento que rompeu fronteiras entre gêneros musicais e culturais e redefiniu a identidade da MPB. Ao longo de décadas, consolidou uma obra que atravessa o afrobeat, o reggae, o forró, o rock e a música eletrônica.

Entre 2003 e 2008, exerceu o cargo de Ministro da Cultura nos governos Lula 1 e 2, onde promoveu políticas de diversidade cultural, economia criativa e democratização do acesso à cultura, incluindo iniciativas pioneiras de software livre e cultura digital. Em 2017, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 20.

Sua trajetória é inseparável da afirmação da cultura negra brasileira como valor econômico e simbólico: Gil articulou, ao longo de sua carreira e gestão pública, a ideia de que cultura é infraestrutura — argumento central para o debate contemporâneo de Afrobusiness e economia criativa negra.

Foto: Wikimedia Commons (2025)
Janeiro · Brasil · Política

Erika Hilton (1996-)

Erika Hilton é deputada federal pelo PSOL/SP e ativista pelos direitos LGBTQIA+ e da população negra. Nas eleições de outubro de 2022, foi eleita com mais de 130 mil votos — a candidata mais votada do PSOL no estado de São Paulo —, tornando-se a primeira mulher trans negra eleita deputada federal na história do Brasil. Assumiu o mandato em fevereiro de 2023.

Nascida em 1996 em São Paulo, cresceu na periferia da cidade e iniciou sua militância política e social ainda jovem. Antes do mandato federal, foi vereadora na Câmara Municipal de São Paulo, eleita em 2020, onde se destacou por projetos voltados à habitação, saúde e direitos de populações vulnerabilizadas.

Na Câmara dos Deputados, integra comissões ligadas a direitos humanos e minorias. Sua eleição foi destacada por organizações nacionais e internacionais como marco histórico na representatividade política de pessoas trans e negras no Brasil.

Foto: Wikimedia Commons (Câmara dos Deputados, 2024)
Fevereiro · Cultura · Cinema-TV

Guilherme Silva

Guilherme Silva é ator brasileiro com formação no teatro e cerca de oito anos de carreira no audiovisual. Sua estreia documentada no cinema brasileiro foi em Café com Canela (2018), longa baiano dirigido por Glenda Nicácio e Ary Rosa, ao lado de Babu Santana — produção que se tornou referência da retomada do cinema negro brasileiro pela Bahia.

Sete anos depois, integrou o elenco de DNA do Crime, série brasileira da Netflix dirigida por Heitor Dhalia (1ª temporada em 2023; segunda temporada em 2025). A série, ambientada na fronteira Brasil–Paraguai, é uma das produções de maior alcance internacional do audiovisual brasileiro recente — sua presença em duas temporadas marca o tipo de continuidade que a televisão brasileira ainda raramente oferece a atores negros em papéis dramáticos.

A trajetória de Guilherme Silva — do cinema de autor da Bahia ao streaming global — é um caso concreto da geração de atores negros que chega às grandes produções a partir do circuito independente, sem o atalho das emissoras tradicionais. Sujeito do dossiê de capa do caderno Cultura 2025 deste boletim.

Foto: TechTudo / Globo
Março · Brasil · Movimentos

Lélia Gonzalez (1935-1994)

Lélia Gonzalez (1935–1994) foi filósofa, antropóloga, professora e política brasileira, fundadora do pensamento feminista negro latino-americano. Nascida em Belo Horizonte, foi a décima filha de um trabalhador ferroviário e uma empregada doméstica, e tornou-se doutora em Antropologia Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde também foi professora.

Em 1978, foi uma das cofundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), marco na organização política antirracista no Brasil. No campo teórico, formulou o conceito de amefricanidade, que propõe compreender a experiência histórica e cultural das populações afro-diaspóricas nas Américas como uma identidade política e cultural compartilhada, para além das fronteiras nacionais. Participou também da fundação do Olodum e integrou o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras.

Atuou como vereadora pelo PDT no Rio de Janeiro e foi candidata a deputada federal. Seus escritos — reunidos postumamente em Por um Feminismo Afro-Latino-Americano (2020) — são referência central nos estudos de raça, gênero e colonialidade no Brasil e na América Latina. Em 2025, completam-se 90 anos do seu nascimento.

Foto: Wikimedia Commons / Cezar Loureiro
Abril · Saber · Educação

Nilma Lino Gomes (1966)

Nilma Lino Gomes é pedagoga, professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das mais influentes pesquisadoras brasileiras em relações raciais e educação. Em 2013, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar a reitoria de uma universidade federal brasileira, assumindo o cargo na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), onde permaneceu até 2014.

No governo da presidenta Dilma Rousseff, ocupou o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (2015–2016). Antes disso, havia presidido a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Sua produção acadêmica inclui obras sobre corpo, cabelo e identidade negra, com destaque para o livro Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra.

Pesquisadora do movimento negro e de suas relações com a educação pública, Nilma Lino Gomes reúne em sua trajetória a dimensão da militância, da gestão e da teoria — uma combinação que a situa entre as intelectuais negras mais completas de sua geração no Brasil.

Foto: Wikimedia Commons (2010)
Maio · Mundo · Diáspora

Beatriz Nascimento (1942-1995)

Maria Beatriz do Nascimento foi historiadora, professora, poeta e cineasta brasileira, pioneira na pesquisa acadêmica sobre os quilombos como projeto político e civilizatório do povo negro. Nascida em 12 de julho de 1942 em Aracaju, Sergipe, formou-se em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e desenvolveu estudos de pós-graduação na Universidade Federal Fluminense.

Ao longo dos anos 1970 e 1980, Beatriz Nascimento reinterpretou os quilombos não como fenômeno histórico encerrado, mas como modelo vivo de resistência e organização afro-brasileira — contribuição teórica que influenciou gerações de pesquisadores e o próprio texto da Constituição de 1988. Em 1989, integrou como roteirista e protagonista o documentário Ôri, dirigido por Raquel Gerber, obra que entrelaça sua trajetória intelectual à memória da diáspora africana.

Beatriz Nascimento foi assassinada em 28 de janeiro de 1995, no Rio de Janeiro, vítima de feminicídio. Seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Seu pensamento permanece referência central nos estudos afro-brasileiros e na luta por direitos das populações quilombolas.

Foto: Wikipedia / Raquel Gerber (1988) – Acervo ÔRÍ
Junho · Cultura · Literatura

Itamar Vieira Junior (1979-)

Itamar Vieira Junior é escritor e geógrafo baiano nascido em 1979. Servidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), sua literatura é profundamente enraizada no sertão baiano e nas comunidades quilombolas, territórios que ele também conhece por dentro por sua atuação profissional.

O romance Torto Arado (2018) foi agraciado com o Prêmio LeYa em Portugal e, na edição seguinte, com o Prêmio Jabuti, tornando-se um dos livros mais lidos e discutidos da literatura brasileira recente. A narrativa acompanha duas irmãs filhas de trabalhadores rurais negros no interior da Bahia, articulando memória, espiritualidade e luta pela terra. Em 2023 publicou Salvar o Fogo, seu segundo romance.

A obra de Itamar Vieira Junior recupera vozes e paisagens historicamente marginalizadas na ficção brasileira, situando-o entre os escritores mais relevantes da geração contemporânea.

Foto: Wikipedia / Wikimedia
Julho · Esporte · Modalidades

Beatriz Souza (1999-)

Beatriz Souza é judoca brasileira, nascida em 1999 em São Paulo. Em 27 de julho de 2024, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris na categoria acima de 78 kg — tornando-se a primeira atleta brasileira a vencer uma medalha de ouro nos Jogos de Paris 2024, abrindo o quadro de ouros do Brasil naquela edição.

Atleta da seleção brasileira de judô, treina no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro em São Paulo e é apoiada pelo Comitê Olímpico do Brasil. Antes de Paris, acumulou conquistas em competições do circuito internacional da Federação Internacional de Judô (IJF), incluindo títulos no Grand Slam.

Sua vitória em Paris, com 25 anos, consolidou o judô brasileiro como potência olímpica e projetou Beatriz Souza como uma das principais atletas do esporte nacional.

Foto: Wikimedia Commons / Forças Armadas
V
Agosto · Economia · Trabalho

Vera Lúcia Santana Araújo

Vera Lúcia Santana Araújo é advogada e ativista do movimento negro brasileiro. Exerceu a presidência nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), organização fundada em 1978 e referência histórica na luta pelos direitos da população negra no Brasil.

Sua atuação concentra-se nas áreas trabalhista e de direitos humanos, com ênfase nas intersecções entre raça, trabalho e cidadania.

Setembro · Saber · Saúde Mental

Jurema Werneck (1961-)

Jurema Pinto Werneck, nascida em 16 de dezembro de 1961 no Rio de Janeiro, é médica, ativista e pesquisadora negra. Formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense — onde foi, por anos, a única estudante negra do curso —, obteve mestrado em Engenharia de Produção pelo COPPE/UFRJ (2000) e doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ (2007).

Em 1992, cofundou a Criola, organização não governamental dedicada à promoção dos direitos e da saúde das mulheres negras no Brasil. Em fevereiro de 2017, assumiu a direção executiva da Anistia Internacional Brasil, cargo que exerceu até 2024. Foi ainda membro do conselho do Global Fund for Women e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Sua trajetória articula medicina, direitos reprodutivos, bioética e combate ao racismo institucional, tornando-a referência central nos debates sobre saúde da população negra no Brasil e na América Latina.

Foto: Wikimedia Commons / Wotancito (CC BY-SA 4.0)
Outubro · Mundo · Internacionalismo

Antonieta de Barros (1901-1952)

Antonieta de Barros (1901–1952) foi professora, jornalista e política catarinense — a primeira mulher negra eleita para uma assembleia legislativa no Brasil. Em 1934, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte do estado de Santa Catarina, marco sem precedente na história política do país.

Natural de Florianópolis, dedicou-se ao magistério e à imprensa desde jovem. Fundou e dirigiu o jornal A Semana, veículo que utilizou para debater educação, cidadania e direitos sociais. Como professora, atuou na rede pública de ensino de Santa Catarina e tornou-se referência no debate educacional da região.

Sua presença simultânea na sala de aula, na redação jornalística e no parlamento estadual — em uma época em que mulheres negras eram sistematicamente excluídas de todos esses espaços — faz de Antonieta de Barros uma figura pioneira tanto no feminismo quanto no pensamento negro brasileiro. Seu nome é homenageado em escolas e espaços públicos em Santa Catarina.

Foto: Wikimedia Commons / Domínio público
Novembro · Esporte · Futebol

Vinicius José Palácios de Oliveira Júnior

Vinicius José Palácios de Oliveira Júnior, nascido em 12 de julho de 2000 em São Gonçalo, Rio de Janeiro, é atacante do Real Madrid e da Seleção Brasileira. Revelado pelo Flamengo, transferiu-se ao clube espanhol em 2018 e se tornou um dos jogadores mais determinantes do futebol europeu na primeira metade da década de 2020.

Pelo Real Madrid, conquistou múltiplos títulos da UEFA Champions League e do Campeonato Espanhol. Em 2024, foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA, vencendo o prêmio The Best FIFA Men's Player — tornando-se o primeiro brasileiro a receber a distinção desde Ronaldinho Gaúcho, em 2005.

Ao longo da carreira, Vinicius Junior tornou-se uma voz pública relevante contra o racismo no futebol europeu, denunciando publicamente episódios de injúria racial sofridos em estádios da Espanha e mobilizando debate institucional sobre o tema dentro e fora do campo.

Foto: Wikimedia Commons
Dezembro · Economia · Afrobusiness

Helena Theodoro (1945-)

Helena Theodoro é filósofa, pesquisadora e Iyalorixá brasileira, doutora em Filosofia pela PUC-Rio. Dedicou sua trajetória acadêmica ao estudo da cultura afro-brasileira, das religiões de matriz africana e da espiritualidade negra como campo filosófico e epistemológico.

É autora de Mito e Espiritualidade — Mulheres Negras, obra de referência sobre a presença feminina nas tradições religiosas afro-brasileiras, além de outros textos sobre religiosidade e identidade negra. Sua produção integra o campo de estudos que articula filosofia, antropologia e práticas de terreiro como formas legítimas de conhecimento.

Como Iyalorixá, Helena une a dimensão intelectual à prática espiritual, contribuindo para o reconhecimento das religiões de matriz africana como patrimônio cultural e como base de um ethos econômico e comunitário próprio — dimensão que situa sua obra no horizonte do Afrobusiness e da economia dos povos de terreiro.

Foto: Wikimedia Commons
Janeiro · Brasil · Política

Anielle Franco (1984-)

Anielle Franco é ministra, jornalista esportiva e ativista dos direitos humanos. Em janeiro de 2023, foi nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de Ministra da Igualdade Racial — pasta recriada no início do terceiro mandato de Lula —, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar essa posição no governo federal.

Nascida em 1984 no Rio de Janeiro, é irmã de Marielle Franco, vereadora e ativista assassinada em março de 2018. Após o assassinato, Anielle assumiu a presidência do Instituto Marielle Franco, organização dedicada ao fortalecimento político de mulheres negras. Formada em jornalismo, atuou como atleta e repórter esportiva antes de se dedicar integralmente ao ativismo.

À frente do Ministério da Igualdade Racial, tem conduzido políticas de equidade racial, combate ao racismo institucional e promoção da igualdade de oportunidades. Sua nomeação foi amplamente lida como um gesto simbólico e político em homenagem à trajetória e ao legado de Marielle Franco.

Foto: Wikimedia Commons (2023)
Fevereiro · Cultura · Música

Margareth Menezes (1962-)

Margareth Menezes é cantora e compositora baiana, uma das vozes mais reconhecidas da música popular brasileira. Nascida em 27 de novembro de 1962 em Salvador, construiu carreira a partir do circuito do axé music e do pagode baiano, tornando-se figura central das festas de Carnaval de Salvador e dos palcos nacionais e internacionais desde o final dos anos 1980.

Seu primeiro álbum, lançado em 1988, incluiu o hit Dandalunda, que a projetou nacionalmente. Ao longo das décadas seguintes, gravou com nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil e consolidou uma discografia que transita entre o axé, o forró, o samba e a MPB. Em 2023, foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Cultura — pasta reativada no início do terceiro mandato —, tornando-se a primeira cantora popular a ocupar o cargo.

À frente do MinC, tem defendido políticas de financiamento à cultura, diversidade cultural e fortalecimento da cadeia produtiva das artes no Brasil. Sua trajetória une o enraizamento na cultura afro-brasileira da Bahia à projeção institucional no campo das políticas culturais nacionais.

Foto: Wikimedia Commons (2022)
Março · Brasil · Movimentos

Sueli Carneiro (1950-)

Sueli Carneiro é filósofa, escritora e ativista brasileira, uma das principais referências do feminismo negro no Brasil. Em 1988, fundou o Geledés — Instituto da Mulher Negra, em São Paulo, organização pioneira na defesa dos direitos de mulheres negras que atua até hoje nas áreas de saúde, educação, jurídica e comunicação.

Doutora em Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu o conceito de epistemicídio para descrever o processo histórico de supressão dos saberes e da subjetividade de povos negros e indígenas, presente em sua tese e na obra A Construção do Outro como Não-Ser como Fundamento do Ser (2005). É também autora de Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil (2011), coletânea de ensaios que reúne décadas de pensamento sobre raça, gênero e poder.

Ao longo de sua trajetória, articulou feminismo e antirracismo em um campo que ficou conhecido no Brasil como feminismo negro, influenciando gerações de ativistas e pesquisadoras. Recebeu o Prêmio Direitos Humanos do governo federal e é referência obrigatória nos estudos de raça e gênero nas universidades brasileiras.

Foto: Wikimedia Commons / André Seiti
Abril · Saber · Educação

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (1942)

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva é educadora e pesquisadora gaúcha, professora aposentada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Foi membra do Conselho Nacional de Educação (CNE) e, nessa condição, foi a relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, documento que regulamentou a Lei 10.639/2003 — legislação que tornou obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas de educação básica do Brasil.

Sua trajetória acadêmica é marcada pelo pioneirismo na construção de uma pedagogia antirracista no Brasil. Pesquisadora das relações entre educação, relações étnico-raciais e quilombos, integrou por anos o debate institucional sobre políticas educacionais afirmativas. As Diretrizes por ela relatadas permanecem como referência central para a formação docente e para a implementação da Lei 10.639/2003 em todo o país.

Petronilha representa, no mês dedicado ao saber, a força da educação como instrumento de transformação: sua obra institucional alterou o currículo escolar brasileiro e abriu caminho para que crianças negras se reconhecessem na história ensinada dentro das salas de aula.

Foto: Wikimedia Commons / UFRGS Litoral (2024)
Maio · Mundo · Diáspora

Abdias do Nascimento (1914-2011)

Abdias do Nascimento foi intelectual, dramaturgo, ator, pintor, político e ativista pan-africanista brasileiro, uma das vozes mais radicais e persistentes na denúncia do racismo no Brasil e no mundo. Nascido em Franca, São Paulo, em 14 de março de 1914, dedicou mais de seis décadas à luta pela dignidade e pelos direitos do povo negro.

Em 1944, fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN) no Rio de Janeiro — espaço pioneiro que reunia trabalhadores negros para encenar peças que colocavam a experiência afro-brasileira no centro da cena cultural e política do país. O TEN também promoveu o I Congresso do Negro Brasileiro (1950). Forçado ao exílio pela ditadura militar em 1968, Abdias atuou como professor e ativista nos Estados Unidos e em países africanos, aprofundando sua ligação com o pan-africanismo.

De volta ao Brasil com a redemocratização, exerceu mandatos como deputado federal (1983–1987) e senador da República (1997–1999), levando ao Congresso projetos voltados à reparação histórica e à igualdade racial. Desenvolveu o conceito de quilombismo como filosofia política afro-brasileira. Morreu no Rio de Janeiro em 23 de maio de 2011, aos 97 anos. Em 2024, centenário de seu nascimento é celebrado em todo o Brasil.

Foto: Wikimedia Commons (Senado Federal, 1991)
Junho · Cultura · Literatura

Conceição Evaristo (1946-)

Conceição Evaristo é escritora e pesquisadora brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1946. Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), é autora de uma obra que articula experiência vivida e criação literária em um conceito que ela mesma formulou: a escrevivência — a escrita que nasce da vivência concreta de mulheres negras.

Estreou na ficção com o romance Ponciá Vicêncio (2003), seguido de Becos da Memória (2006). O livro de contos Olhos d'Água (2014) rendeu-lhe o Prêmio Jabuti. É também autora de Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2011) e Histórias de Leves Enganos e Parecenças (2016), além de ter colaborado com os Cadernos Negros desde os anos 1990.

Membro eleita da Academia Mineira de Letras, Conceição Evaristo tornou-se uma das vozes mais reconhecidas da literatura afro-brasileira contemporânea, influenciando pesquisadores, educadores e novas gerações de escritoras negras no país.

Foto: Wikimedia Commons / Mídia NINJA (CC BY-SA 2.0)
Julho · Esporte · Modalidades

Rebeca Andrade (2000-)

Rebeca Andrade é ginasta artística brasileira, nascida em 2000 em Guarulhos, São Paulo. É a maior medalhista olímpica da história do Brasil: conquistou duas medalhas nos Jogos de Tóquio 2020 (ouro no salto e prata no individual geral) e quatro medalhas nos Jogos de Paris 2024 (ouro no solo, ouro por equipes, prata no individual geral e prata no salto), totalizando seis medalhas olímpicas.

Revelada ainda adolescente, enfrentou múltiplas cirurgias nos joelhos ao longo da carreira antes de chegar ao pódio olímpico. Treina na Associação Esportiva Elite, em São Paulo. Em Paris 2024, a disputa pelo ouro no solo contra Simone Biles tornou-se um dos momentos mais comentados dos Jogos, com Rebeca superando a norte-americana na final.

Representante da nova geração da ginástica brasileira feminina, sua trajetória combina excelência técnica e grande popularidade nacional. Em julho, mês dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, seu desempenho marcou uma virada histórica para o esporte brasileiro.

Foto: Wikimedia Commons (2023)
Agosto · Economia · Trabalho

Cida Bento (1954)

Maria Aparecida Silva Bento, conhecida como Cida Bento, é psicóloga e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Cofundadora e diretora-executiva do CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), organização fundada em 1990 dedicada ao enfrentamento do racismo no mundo do trabalho e na educação.

Ao longo de mais de três décadas, Bento articulou pesquisa acadêmica, ativismo e formação corporativa, assessorando empresas e órgãos públicos na construção de políticas de equidade racial. Sua tese de doutorado, defendida na USP, investigou o silêncio das organizações diante do racismo — trabalho que se tornou base de sua obra mais conhecida.

Em 2022, publicou O Pacto da Branquitude pela Companhia das Letras, livro em que analisa como pessoas brancas constroem acordos tácitos para manutenção de privilégios nas relações de trabalho e nas instituições. A obra se tornou um dos títulos mais debatidos no campo dos estudos raciais brasileiros naquele ano.

Foto: Wikimedia Commons
Setembro · Saber · Saúde Mental

Gérson Silva Santos Neto

Dr. Gérson Silva Santos Neto é neurocientista comportamental e psicólogo clínico brasileiro (CRP 03/22886). Formou-se em Psicologia pela UFRB (2008–2013), fez mestrado (2016) e doutorado (2020) em Neurociências pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (FMRP-USP). Realizou estágios de pesquisa em Harvard, no programa Mind, Brain & Behavior — em 2014 e novamente em 2017–2018.

Atua como pesquisador sênior no Hospital das Clínicas da FMRP em estudos de fMRI, epilepsia e sono, com financiamento de CNPq, CAPES, FAPESB e MCTIC. Mantém prática clínica privada em psicoterapia e atua como Chief Mental Officer em contextos executivos, com consultoria a conselhos e lideranças C-Level. É membro da American Psychological Association (APA), da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp) e do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD). Integra a Forbes BLK desde 2023.

Fundador do Conexão Psicológica, do projeto Psicologia Preta e do HumanOS Institute, publica semanalmente o boletim HumanOS Brief (segundas) e a coluna A Trama Oculta (sextas). Sua leitura editorial articula neurociência cognitiva, ética em IA com human-in-the-loop, saúde mental do homem negro, fadiga decisória e ecologia cognitiva — campo em que a presença negra ainda é escassa nos espaços de produção e difusão científica.

Sujeito do dossiê de capa do boletim Masculinidade Negra Brasil 2024.

Foto: drgersonneto.com
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Outubro · Mundo · Internacionalismo

Joel Rufino dos Santos (1941-2015)

Joel Rufino dos Santos (1941–2015) foi historiador, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das vozes mais consistentes do pensamento sobre a diáspora africana no Brasil. Graduado em história, dedicou décadas ao estudo e à difusão da história afro-brasileira em livros acadêmicos e obras de literatura infantojuvenil.

Como professor universitário, atuou no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Publicou títulos de referência para o ensino de história do Brasil com recorte racial, além de uma extensa produção para crianças e jovens que introduziu personagens e narrativas negras na literatura brasileira. Entre suas obras estão livros sobre história do Brasil e sobre a cultura afro-brasileira destinados a diferentes públicos.

Sua trajetória articula rigor historiográfico e compromisso com a democratização do conhecimento — o que o coloca no conjunto de intelectuais que pensaram o Brasil a partir da experiência da diáspora africana, em diálogo com debates internacionais sobre identidade, raça e colonialismo.

Novembro · Esporte · Futebol

Marta Vieira da Silva

Marta Vieira da Silva, nascida em 19 de fevereiro de 1986 em Dois Riachos, Alagoas, é atacante e considerada a maior jogadora de futebol da história. Venceu o prêmio FIFA World Player of the Year / Melhor Jogadora do Mundo por seis vezes consecutivas (2006–2010 e 2018), recorde absoluto na modalidade feminina.

Iniciou a carreira no Brasil antes de se projetar internacionalmente na Suécia, onde atuou pelo Umeå IK, clube com o qual conquistou títulos da Liga dos Campeões da UEFA feminina. Passou também por equipes nos Estados Unidos e no Brasil antes de se estabelecer no Orlando Pride, da National Women's Soccer League (NWSL), onde joga desde 2017.

Nas Copas do Mundo femininas, Marta é a maior artilheira da história do torneio entre homens e mulheres, com 17 gols marcados ao longo de cinco edições (2003–2019). Representou a Seleção Brasileira em cinco Copas do Mundo e em quatro edições dos Jogos Olímpicos, conquistando a medalha de prata em Atenas 2004 e Pequim 2008. Em 2004 foi agraciada com a Ordem do Mérito Esportivo pelo governo brasileiro.

Foto: Wikimedia Commons (Orlando Pride, 2024)
Dezembro · Economia · Afrobusiness

Adriana Barbosa (1973-)

Adriana Barbosa é empreendedora e produtora cultural paulistana, conhecida por fundar e dirigir a Feira Preta, criada em 2002 em São Paulo. A feira é reconhecida como a maior plataforma de empreendedorismo negro da América Latina, reunindo marcas, artistas, produtores e consumidores da cultura negra num evento anual de alcance nacional.

Ao longo de mais de duas décadas, Adriana consolidou a Feira Preta como um ecossistema de negócios afro-brasileiros que vai além da venda direta: inclui fóruns de capacitação, conexões com o mercado corporativo e visibilidade para empreendedores negros historicamente excluídos dos circuitos convencionais. Seu trabalho é citado por pesquisadores e pela imprensa especializada como referência em economia criativa negra.

Reconhecida pela Forbes Brasil entre nomes de destaque do empreendedorismo nacional, Adriana é também palestrante e articuladora de políticas de inclusão econômica para a população negra.

Foto: Wikimedia Commons