Marrocos venceu o Egito por 2 a 1 na final da Copa Africana das Nações 2025/26, em 11 de fevereiro, no Stade Hassan II, em Casablanca. Hakim Ziyech marcou o gol do título aos 78 minutos. Foi a segunda CAN da história organizada em solo marroquino, a primeira após o reordenamento do calendário da CAF que empurrou a competição para o início do ano-Copa. O torneio terminou três meses antes do Mundial nos EUA, México e Canadá, e dele saem cinco seleções classificadas para junho: Marrocos, Egito, Senegal, Costa do Marfim e Camarões.
O balanço técnico fala mais alto que o resultado. A geração marroquina formada no esteio da semifinal de Qatar 2022 chegou madura — Achraf Hakimi, Ziyech, Sofyan Amrabat e o goleiro Yassine Bounou jogaram a fase final em ritmo europeu, com posse média de 58% nos seis jogos. O time treinado por Walid Regragui consolidou um modelo que articula formação local — Academia Mohammed VI, em Salé — com circulação por Liga dos Campeões e Premier League. É o projeto futebolístico mais bem desenhado da África há uma década.
O Egito de Mohamed Salah perdeu a final mas confirmou hegemonia regional. Senegal foi a maior decepção: eliminada nas quartas pela Costa do Marfim, sem Sadio Mané em forma e com Édouard Mendy criticado em rede pela conduta na primeira eliminação. A Nigéria não se classificou para o Mundial e fez torneio apagado, eliminada na fase de grupos. Camarões, com Vincent Aboubakar reformado, chegou às semifinais com geração jovem treinada por Marc Brys. Costa do Marfim, anfitriã da edição anterior, mostrou o que tem para junho: Sébastien Haller artilheiro do torneio com sete gols, Franck Kessié comandando o meio-campo.
A leitura mais importante está fora dos placares. A CAN 2025/26 foi a primeira em que a CAF impôs cota mínima de jogadores formados em academias africanas — cinco por seleção, contra média histórica de dois. A regra, anunciada em 2024 pelo presidente Patrice Motsepe, alterou a composição dos elencos: Marrocos levou onze atletas saídos da Academia Mohammed VI, Senegal nove formados em Diambars e Génération Foot. O efeito é estrutural. Por anos, seleções africanas funcionaram como confederações de profissionais europeus convocados em janeiro. A nova regra começa a recompor a base — e o que sai de junho sai com cara de continente, não de filial.
Para o Brasil, a CAN deveria ser leitura obrigatória. Dorival Júnior tem na sua convocação dezessete jogadores pretos ou pardos formados majoritariamente em centros brasileiros. A simetria com Marrocos é evidente: projeto de formação racialmente legível, identidade técnica definida, circulação europeia controlada. A CBF nunca pensou o Brasil assim — sempre pensou como exportador. O que Marrocos mostrou em Casablanca em 11 de fevereiro é que existe um caminho intermediário entre exportar matéria-prima e importar treinador europeu. Esse caminho passa por reconhecer que formação é projeto político, não acaso.
A final: Marrocos 2 x 1 Egito, em 11 de fevereiro de 2026, no Stade Hassan II, em Casablanca. Gols de Brahim Díaz, Hakim Ziyech (78') e Mohamed Salah. Público: 65 mil. Walid Regragui treinador, segundo título marroquino na história.
Classificadas para a Copa: Marrocos, Egito, Senegal, Costa do Marfim e Camarões. Nigéria não se classificou — eliminada nas eliminatórias por Costa do Marfim em novembro.
Artilharia e destaques: Sébastien Haller (CIV) marcou sete gols. Hakim Ziyech (MAR) eleito melhor jogador. Yassine Bounou (MAR) menos vazado: três gols em sete jogos. CAF anunciou cota mínima de cinco jogadores formados em academia africana por seleção, em vigor desde 2024.
Calendário: CAN 2025/26 começou em 13 de janeiro e terminou em 11 de fevereiro. CAF reordenou o calendário em 2023 para evitar choque com janelas europeias. Próxima edição: Quênia-Tanzânia-Uganda, em 2027.
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