Sete preceitos.
Uma só casa.
O Código é lido em voz alta na cerimônia de entrada e repetido em cada Mesa Grande. Não é lei — é promessa mútua. Quem a quebra, se exclui antes de ser excluído.
Da palavra dada.
A palavra de um irmão é contrato. O que se promete à mesa, se cumpre no mundo. Quem quebra a palavra, se exclui antes de ser excluído.
A Casa não depende de reputação construída fora dela. Dentro dela, a moeda é outra: a palavra. O prazo cumprido, o recado entregue, o compromisso honrado quando ninguém está olhando.
O irmão que falha e comunica a tempo, negocia a palavra: é recebido. O irmão que falha e desaparece, demite-se. Não é vingança — é método: sem palavra confiável, a mesa deixa de existir.
Do ofício.
Ninguém fica parado no próprio campo. A mestria é dever, não talento. Quem se deixa ultrapassar pelo próprio ofício, perde a voz que o trouxe à mesa.
Entrar na Casa é entrar já sendo. Permanecer na Casa é continuar sendo. O irmão que começa a viver de reputação passada tem um triênio para reconstruir domínio; depois, é chamado à sua Câmara para prestar contas.
Exceções existem — doença, luto, pausa voluntária para cuidado familiar. São pedidos à Mesa, nunca silenciosos. Ninguém sai do domínio sem a Casa saber.
Da mesa.
Dividimos método, clientela e oportunidade. O que chega a um, chega ao grupo. Quem guarda para si o que foi construído pela Casa, opera contra ela.
Cada irmão leva à mesa as oportunidades que poderia abrir a outros: contratação, indicação, contrato, convite, palco. Não há obrigação de aceitar — há obrigação de oferecer.
A reciprocidade é o que distingue a Casa de uma rede profissional qualquer. Aqui o ganho é coletivo primeiro, individual depois.
Da presença.
Onde se decide, vamos. Onde não somos chamados, construímos a nossa mesa. A ausência repetida é renúncia silenciosa.
A Casa é feita de presença. Conselhos, bancas, comitês, editoriais, palanques: ocupar é dever do irmão. Quando o espaço não existe, a Casa o constrói — via Câmara do Capital, via parceria institucional, via novo coletivo.
Três faltas consecutivas à Mesa da Câmara sem justificativa são tratadas como pedido de afastamento. Ninguém é cobrado como peso; todos são cobrados como parte.
Do silêncio.
O que se diz entre irmãos, morre entre irmãos. A discrição não é fetiche — é infraestrutura de poder.
O que a Casa debate internamente — nomes, decisões, divergências — fica dentro da Casa. Não é regra de segredo; é regra de confiança. Sem ela, ninguém fala com liberdade; sem fala livre, a mesa se degrada.
Irmão pode, por livre decisão e em proveito de projeto público, mencionar sua pertença. Nunca menciona a pertença de outro. A identidade alheia é sempre do outro.
Da linhagem.
Lembramos os nomes anteriores. Nenhum passo nosso começa do zero. Quem esquece a quem deve, perde a quem pode dever.
A memória é obrigação. Cada câmara guarda sua linhagem — os que vieram antes, os que abriram caminho, as instituições que nos precederam. Nos discursos, nas publicações e nas cerimônias, o irmão cita quem o antecedeu.
A Casa mantém o arquivo vivo: nomes de referência histórica, episódios formadores, palavras que não se deixam perder. Nenhum irmão é obrigado a saber tudo; todo irmão é obrigado a reverenciar.
Do sucessor.
Cada irmão forma um jovem. Sem sucessor nomeado, a cadeira volta à Casa. A linhagem se faz em vida — não em testamento.
A partir do quinto ano, cada irmão tem obrigação de afilhamento ativo: um ou mais jovens negros em formação em seu campo, com encontros regulares, mentoria, abertura de porta. Não é caridade — é método sucessório.
Na Mesa Grande do décimo ano, o irmão apresenta seu sucessor possível: alguém que, quando a cadeira vagar, terá estatura para ocupá-la. A Casa pode aceitar, recusar, ou sugerir outro. Sem nome na ata, sem cadeira no futuro.
Pelo cumprimento deste Código respondo — em Casa e no mundo.
— Fórmula lida pelo novo irmão na cerimônia de entrada, diante da Mesa e dos Antigos.